[ENTREVISTA] RAP Made In Korea com KHUNDI PANDA!

Olá pessoal! É com muita felicidade que nós do RAP Made In Korea trazemos uma entrevista exclusiva com o rapper KHUNDI PANDA. Suas músicas tem tido uma grande audência no Soundcloud, colecionando milhares de plays, marcas significativas para um rapper da concorrida cena underground sul-coreana. Contactamos KHUNDI PANDA sobre a entrevista no Soundcloud, e ele foi super receptivo a ideia, ficando feliz em ver que os blogs estão ativos, confira abaixo a entrevista:




(KHUNDI PANDA) Me chamo Pock Hyun, e meu nome artístico é Khundi Panda. Eu moro na cidade de Suwon, na Coreia do Sul. Eu faço parte de uma crew chamada Purpura Ethics. Olá a todos os leitores do Brasil!

(RAP Made In Korea) 1) Quando você começou a escrever seus Raps? E por que motivo?

(KHUNDI PANDA) Escrevo Rap desde meus 13 anos de idade. Eu sofria bullying na escola e sempre fiquei a margem da turma, distante. Nada ajudava meu estado mental a não ser escrever e escutar Rap.

(RAP Made In Korea) 2) Agora, vamos falar sobre influências musicais. Quais são as suas maiores influências no cenário do Rap coreano?

(KHUNDI PANDA) Eu não costumo me inspirar nos artistas daqui da Coreia do Sul, mas, algumas vezes surgem músicas muito boas que por vezes acabam me inspirando. Recentemente, C-Jamm (Just Music/Sexy$treet)  lançou "Illusion" e me deixou muito inspirado!

(RAP Made In Korea) 3) O Rap coreano tem crescido em popularidade ao redor do mundo, muitas pessoas começaram a acompanhar e escutar os rappers depois de programas como Show Me The Money e Unpretty Rapstar. Qual a sua opinião sobre esses programas? É algo bom ou ruim?

(KHUNDI PANDA) As questões inconvenientes são muito óbvias e fáceis de perceber. Os elementos fundamentais que consistem na cultura que chamamos de Hip-Hop não são totalmente exibidos no show. Os programas mostram apenas as partes que podem chamar alguma atenção, o que praticamente corta totalmente a cultura Hip-Hop e enquadra dentro de um formato para o programa. Enquanto isso, uma vez que o canal Mnet é imbatível para apresentações de artistas desconhecidos, muitos rappers desconhecidos conseguem uma boa chance de se apresentarem para amplas audiências. Isto é importante, especialmente em um país como a Coreia do Sul, aonde os rappers não conseguem vender muito a sua música. Eu acredito que existem prós e contras sobre esta questão.

Capa da mixtape "Pandamonium"

(RAP Made in Korea) 4) Sua mixtape "Pandamonium" tem recebido bastante atenção no Soundcloud, milhares de plays! Qual o conceito principal presente em suas letras?

(KHUNDI PANDA) O principal conceito para as letras da mixtape eram "sons de outro mundo". Eu tenho meu próprio mundo de fantasias na minha mente, então eu acho que foi a partir disso que acabei pegando emprestado esse tema. Mas, infelizmente, eu realmente não refleti esses pensamentos diretamente nas minhas letras, porquê eu pensei: Desde que as pessoas não sabem do que se passa em meu mundo, eu devo, pelo menos, escrever letras que elas pudessem entender e sentir.

(RAP Made In Korea) 5) Qual a sua opinião sobre a atual cena do Rap coreano? O que você acha bom e ruim nesse cenário?

(KHUNDI PANDA) A cena do Rap coreano tem uma história relativamente curta. A cultura em si é uma importação de uma outra área com uma atitude diferente, por isso não tenho dúvidas que houveram problemas no processo de assimilação dessa cultura. A única coisa ruim é que, embora cada vez mais pessoas estão ficando interessadas no Hip-Hop, o aumento desse número não garante o futuro da cena do Rap coreano. Mais ações para mover a cultura Hip-Hop para o centro da cultura coreana são necessárias.

(RAP Made In Korea) 6) E por fim, quais são seus planos para o futuro???

(KHUNDI PANDA) Estou preparando minha segunda mixtape "KING IDDIM" e eu tenho algumas colaborações com outros artistas a caminho. Depois disso, não tenho nada planejado.

(RAP Made In Korea) Muito obrigado pela contribuição, Khundi Panda! Foi muito legal conhecermos um pouco mais do seu trabalho e sua visão sobre o Rap coreano!!! :)

E assim chegamos ao fim de nossa primeira entrevista! Em breve teremos mais conversas com rappers do underground coreano! Possuem sugestões de perguntas? Mandem uma mensagem para nossa página do Facebook, na RAP Made In Korea. Ah, e não deixem de conhecer e seguir o trabalho do Khundi Panda. Confira os links abaixo:

SOUNDCLOUD: https://soundcloud.com/platobeast
Baixe a mixtape "PANDAMONIUM": http://www.mediafire.com/download/bsfx7tgxhs8bgv7/PANDAMON!UM.zip
INSTAGRAM: https://instagram.com/khundipvnda/
TWITTER: https://twitter.com/KhundiElliot1


Rap coreano em foco: Uma perspectiva histórica.

Não é novidade que a Coreia do Sul tem exportado sua cultura ao redor do mundo. Através do K-Pop, a Onda Hallyu (ou Onda Coreana), desde o início dos anos 90 tem ganhado força. Grupos de renome como H.O.T, DBSK (Descritos pela Billboard como "a realeza do K-Pop")  e a cantora solista BoA ajudaram a espalhar o K-Pop pelo mundo. Outros elementos da cultura coreana ganharam popularidade, como os Doramas (Também conhecido como K-Drama), além de referências de Moda (K-Fashion).

Porém, um novo elemento musical coreano tem ganhado cada vez mais destaque: o Rap coreano (ou como ele é popularmente conhecido na Coreia do Sul: Hangul Hip-Hop). A Illionaire Records (Beenzino, Dok2, The Quiett) teve recentemente uma tour na América do Norte com casa cheia por onde passaram. E o rapper Keith Ape atualmente está fazendo sua carreira nos EUA, depois de atingir mais de 10 milhões de visualizações no YouTube com "It G Ma"


A prova disso é a vinda do rapper Basick (Campeão da última edição do Show Me The Money, programa de sobrevivência dedicado aos rappers coreanos)  para o Brasil, mostrando que o Rap coreano tem ganhado cada vez mais força ao redor do mundo, e nosso país está no mapa! ( https://www.facebook.com/events/516876761804337/)

Agora, vamos ao que interessa: Tudo bem, o Rap coreano tem ganhado força e popularidade através do trabalho duro dos/das rappers, além de realities shows como o Show Me The Money e o Unpretty Rapstar (Teremos postagens dedicadas aos realities logo mais), que tem ajudado a difundir o gênero. Porém, vocês conhecem a história do Rap coreano? Como ele chegou nesse estágio de popularidade? Vamos resumir em 3 fases:

1. Início dos anos 90.

O primeiro registro musical de algo que pode ser considerado "Rap" foi lançado em 1989. Hong Seo-beom [홍서범], um cantor de rock relativamente conhecido na época, gravou uma música chamada Kim Satgat [김삿갓]. A música foi uma grande surpresa e teve uma boa recepção, Hong rimou em cima de uma batida funkeada, porém foi um lançamento experimental, não havendo por parte do artista construir uma carreira relacionada ao Rap. Ele apenas fez uma música em sintonia com o que existia nos EUA. Atualmente não vamos registros do Hong Seo-beom relacionados ao Rap coreano, raramente seu nome é mencionado. Escute Kim Satgat [김삿갓] do Hong Seo-beom abaixo:




Artistas que vieram depois de Hong, e que faziam parte do K-Pop, Seo Taiji & The Boys [서태지], Hyeon Jin-yeong [현진영] e o Lee Hyun-do [이현도] são atualmente mais lembrados como pioneiros do estilo. Seo Taiji transitou por muitos gêneros musicais, já Lee Hyun-do e seu grupo Deux se dedicaram mais ao Hip-Hop.  Nessa performance de Seo Taiji & The Boys de 1995 vemos como o Rap começa a ganhar forma e conteúdo na Coreia do Sul:




2. Final dos anos 90 e início dos anos 2000.

Nesse período começaram a surgir artistas que se dedicaram exclusivamente ao Rap. A denominação "Rapper" começou a ser utilizada para se diferenciarem dentro do cenário musical e demarcando o surgimento do gênero na Coreia do Sul. Porém, dois níveis surgiram dentro do Rap coreano e que se desenvolveram simultaneamente: O "Overground" e o "Underground". Os artistas situados no Overground eram aqueles com oportunidades de participar dos programas de televisão, acesso as rádios, e tinham amplas vendas de discos. Já a denominação Underground, é dada aos artistas independentes, que produzem mixtapes em homestudios, e fazem performances em pequenos clubes, e festas. Tal dualidade permanece até hoje no Rap coreano, onde o termo "Mainstream" é hoje mais utilizado para denominar os artistas que permanecem em evidência na televisão.

Na Coreia do Sul, a indústria musical tinha (e ainda tem) muita influência dos EUA. Com o Rap não foi diferente. O duo Jinusean fizeram um grande sucesso, sendo até hoje o grupo de Rap que venderam mais discos na Coreia. Ambos eram "korean-americans", e eram sintonizados com o que existia de mais atual em termos de Rap além de terem sido produzidos por Yang Hyeon-seok [양현석]) do Seo Taiji and Boys (Hoje o presidente da YG Entertainment) , and Lee Hyun-do, duas figuras essenciais para o desenvolvimento do Rap coreano. Uma outra artista "korean-american" que surgiu nesse mesmo período foi a Tasha (Yoonmirae), sendo a maior estrela do grupo Uptown, sendo considerada por unanimidade na Coreia do Sul como a Rainha do Rap (Ver vídeo abaixo). Seu marido, Tiger JK (Drunken Tiger) também surgiu nesse período, trazendo a estética americana em suas rimas, mesclando inglês e coreano nas mesmas letras. Se Yoonmirae é a Rainha, claro que o Tiger JK seria o Rei.




3. Início dos Anos 2000 até os dias de hoje.

Enquanto os artistas do Mainstream produziam sua musica seguindo a influência direta das tendências vindas dos EUA, no Underground os rappers estavam preocupados em produzir suas músicas com suas próprias características, plantando suas genuínas sementes musicais no solo coreano. Algumas destas tentativas foram cruas e grotescas e, amplamente criticadas, não conseguindo superar o que estava sendo produzido pelos rappers do Mainstream.

Diferente dos EUA, onde o Rap surgiu nos guetos de Nova York enquanto um movimento cultural, sendo um pilar da cultura Hip-Hop, na Coreia do Sul esse processo de crescimento do Rap além do surgimento de uma comunidade, se deu na Internet. Com várias mentes pensando ao mesmo tempo, os membros das comunidades virtuais passaram a se reunir em suas cidades, escutando e debatendo as tracks produzidas nos EUA, e gradualmente foram produzindo os seus próprios trabalhos, socializando-os e fazendo história. Blex, foi o primeiro rapper a lançar, em 1997 um álbum completo de forma totalmente independente, chamado BLEX: Black Sounds, the First Sounds [BLEX: 검은 소리, 첫 번째 소리].  Rappers pioneiros como MC META do grupo Garion, e o DJ Wreckx (Primeiro dj coreano), surgiram nessas comunidades virtuais.  Enquanto os rappers do Mainstream queriam parecer e soar como Rap americano, os rappers do Underground construiram sua própria essência, buscando rimar em sua própria língua. pulando as barreiras linguísticas e culturais.

Uma figura adquiriu uma importância enorme para esse processo da quebra das barreiras linguísticas e garantir um Rap totalmente coreano: Verbal Jint. Enquanto muitos rappers faziam suas letras com rimas mecânicas e totalmente lineares, Verbal Jint começou a organizar suas rimas de uma forma tri-dimensional e progressiva, onde as frases rimavam, sem necessariamente focar em rimas no final das sílabas, assim, Verbal Jint brincou com as possibilidades linguísiticas criando diferentes estruturas de rimas, variando a velocidade e a ênfase a certas palavras. Pode-se dizer que Verbal Jint foi um dos primeiros a explorar a potencialidade do coreano para o Rap (Ver vídeo abaixo):






Assim, os rappers coreanos começaram a expressar seus pensamentos em sua própria língua, e isso trouxe implicações enormes para o Rap, onde suas próprias mensagens, referências e vozes ecoaram. Alguns rappers conseguiram transitar do Underground para o Mainstream, como o grupo CB Mass (Ver vídeo acima), derrubando uma barreira que possibilitou muitos rappers a alcançarem sucesso e venderem seus shows e seus álbuns, e chegamos aos dias de hoje com rappers como Zico (Block B), Dok2, por exemplo, possuindo reconhecimento dentro e fora do Mainstream. 





E assim, chegamos ao fim dessa postagem! O texto é longo, porém é carregado de informações que nos ajudam a entender como o Rap coreano se desenvolveu e chegou a sua forma atual. Lembrando que ele continua passando por um processo evolutivo e várias transformações estão ocorrendo. Ou seja, tem muita coisa boa chegando para a gente ouvir! Gostaram da postagem? Compartilhem nossa postagem no Facebook, e curtam a página do Rap Made In Korea!

REFERÊNCIAS:

[1] http://askakorean.blogspot.com.br/2015/02/whats-real-in-korean-hip-hop-historical.html (Artigo escrito por TK)

[2] http://seoulbeats.com/2014/02/hip-hop-dont-stop/ (Seoul Beats)


[MINI ÁLBUM] BRYAN CHA$E - LOST IN THE CITY (Part 1)



Olá pessoal! Como post inaugural do nosso blog, nós, do RAP Made In Korea, vamos começar em grande estilo com um conteúdo diferenciado por aqui em terras brasileiras.

Esse post é uma análise do Mini-Álbum do Bryan Cha$e (conhecido anteriormente como Play$tar), lançado no dia 05 de Novembro de 2015. Bryan Cha$e é membro da The Cohort, uma das muitas crews (grupos, traduzindo para o português). A The Cohort é uma crew bastante conhecida por seus integrantes se dedicarem a produzir bastante Trap, sub-gênero do Rap. Bryan Cha$e não poderia ter feito diferente, e seu cd se enquadra nessa tendência. Porém, diferente dos seus companheiros de grupo que fazem músicas mais agressivas, como podemos ver nessa track do Keith Ape que o Bryan participou, chamada "Camo"



Bryan Cha$e optou por fazer um som mais "classe", com uma vibe mais calma e uma pegada 100% atual. Trouxe convidados de peso para colaborarem nessa primeira parte do Míni Álbum: O companheiro de The Cohort, Okasian. O CEO da gravadora que ele faz parte, a Hi-Lite Records, Paloalto, e por último, um dos rappers mais ovacionados da Coreia do Sul, Dok2, um dos CEO da Illionaire Records, faltam adjetivos para falar do Dok2.. Assim, temos a seguinte tracklist:

1. FINESSE (Feat. Okasian & Dok2)
2. ROLL & SMOKE
3. GRINDIN ALL DAY (Feat. Paloalto)
4. SOBER (Feat. Okasian)

As letras músicas do álbum giram em torno de uma Egotrip, aonde o Bryan Cha$e destaca os seus desejos e sobre o que seria a vida ideal do mesmo (''Finesse"). Uma The Cohort conhecida mundialmente, viver com toda a classe possível, entre cigarros e bebidas caras, sem esquecer de mostrar que pode fazer uma mulher feliz (como "Roll & Smoke" destaca muito bem).

Porém, para conseguir tudo isso, Bryan Cha$e diz que luta por dinheiro todos os dias, pois ele tem consciência de que o dinheiro é a chave para solucionar todos os problemas, e assim conquistar sua felicidade, e das pessoas que ama ("Gridin All Day"). Mas, quando bate a sobriedade, ele vê que algumas coisas continuam faltando na sua vida, pois o amor é algo artificial (Bateu aquela Bad trip, em saber que a pessoa que ele ama se afastou e se mudou, como "Sober" deixa claro). Basicamente é o tipo de conflito que pessoas experimentam em relação ao dinheiro, pois as vezes pessoas ficam perto de você pelo o que você possui, e não pelo o que você realmente é de fato, seus sentimentos e etc.

Bryan Cha$e com esse Mini Álbum tem a clara intenção de seguir os passos de seu companheiro de The Cohort, Keith Ape. nos EUA. Todas as letras do Bryan são em inglês, apenas Okasian, Dok2 e Paloalto que possuem suas linhas em coreano. Isso tem facilitado os membros da The Cohort a expandirem seu público e assim concretizarem o projeto que o Keith Ape declarou para o site Complex: "Se estabelecer nos EUA, continuar fazendo música e levar a The Cohort para os EUA".

Nesse cd, Bryan Cha$e mostrou que ele e sua crew vão entrar com tudo na América. O Mini Álbum é extremamente bom de se ouvir, e dá para observar que ele foi feito com muito cuidado, pois o Bryan Cha$e já foi muito criticado pelos fãs da The Cohort, por não fazer rimas no mesmo patamar de seus companheiros, parece que o jogo virou e o Bryan Cha$e cresceu. Vamos ficar no aguardo da parte 2 de LOST IN THE CITY! Em breve vamos disponibilizar as letras das músicas e suas traduções, acompanhem nossa página no Facebook e nosso blog!

Você pode baixar "LOST IN THE CITY" do Bryan Cha$e no k2n blog, no link abaixo:
http://k2nblog.com/mini-album-bryan-chae-lost-in-the-city-part-1-mp3/
 
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